Uma das razões que me levou a aprofundar a análise dos relatórios trimestrais do SRIJ foi precisamente a riqueza de dados demográficos que contêm — e que nenhum dos sites de comparação de operadores se deu ao trabalho de apresentar. Quando percebi que conseguia saber com rigor quais as faixas etárias que apostam mais, de que cidades vêm e a que ritmo crescem as novas contas, percebi que estes dados contam uma história muito mais interessante do que qualquer lista de “melhores bónus de 2025”. É essa história que vou contar aqui.

Grupos Etários dos Apostadores: 78,7% Têm Menos de 45 Anos

Em Q3 2024, 78,7% dos apostadores registados em Portugal tinham menos de 45 anos. O grupo mais representado era o dos 25 aos 34 anos, com 34,3% de todos os apostadores — mais de um em cada três. A concentração neste segmento etário não é surpreendente para quem conhece o mercado, mas a magnitude é maior do que a maioria das estimativas informais sugere.

O que este perfil diz sobre o mercado: os apostadores portugueses são predominantemente adultos jovens com acesso a tecnologia móvel, familiaridade com pagamentos digitais e exposição a cultura desportiva intensa. São também, estatisticamente, o grupo com maior utilização de smartphones — o que explica diretamente porque mais de 75% das apostas são feitas via mobile.

O grupo dos 35 aos 44 anos representa uma fatia significativa do mercado e tende a apostar com maior regularidade e volumes médios mais elevados — são apostadores com mais rendimento disponível e, em muitos casos, com mais anos de experiência no mercado. A combinação de volume de apostadores jovens (25-34) com o valor médio mais alto dos apostadores de meia-idade (35-44) é o que define a estrutura económica do mercado.

Acima dos 45 anos, a participação decresce mas não é negligenciável. Este segmento tende a preferir operadores com interfaces mais simples e canais de suporte mais acessíveis — um factor que operadores com experiência no mercado físico, como a Solverde, exploram como diferenciador.

Distribuição Geográfica: Lisboa e Porto Concentram Mais de 42% dos Apostadores

Os dados geográficos do SRIJ para Q3 2024 revelam uma concentração metropolitana esperada mas expressiva: Lisboa representa 21,3% de todos os apostadores registados, Porto 21,2%. Juntas, as duas maiores áreas metropolitanas de Portugal concentram mais de 42% dos apostadores — numa população que representa cerca de 35% do total nacional.

Esta sobre-representação das áreas metropolitanas face à sua dimensão populacional reflete vários factores: maior penetração de smartphones e conectividade, maior exposição a publicidade digital de operadores de apostas, e uma cultura urbana que inclui maior familiaridade com plataformas digitais de serviços financeiros — da qual as apostas online são, do ponto de vista tecnológico, uma extensão natural.

Os 95% de apostadores que são cidadãos portugueses confirmam algo que os dados de outros mercados também mostram: as apostas online servem essencialmente a população residente, não turistas ou apostadores de outros países que usam plataformas locais. Esta concentração nacional justifica o investimento dos operadores em localização completa — português europeu, MBWay, Multibanco, suporte em português — como requisitos de facto, não apenas de cortesia.

Crescimento de Registos: 75 500 Novas Contas por Trimestre

Em Q2 2025, registaram-se 75 500 novas contas em plataformas licenciadas em Portugal. Um número que, anualizado, representa mais de 300 000 novos apostadores por ano — um fluxo de entrada expressivo para um mercado com uma base de quase cinco milhões de perfis registados em setembro de 2025.

O crescimento das novas contas não se traduz automaticamente em crescimento equivalente dos apostadores activos. Em Q2 2025, o número de apostadores activos — com pelo menos uma aposta no trimestre — foi de 1 120 000, ligeiramente abaixo dos 1 150 000 de Q2 2024. Esta divergência entre crescimento de registos e estabilização de apostadores activos é um sinal de maturação do mercado: há muitas contas criadas que ficam inactivas ou com actividade esporádica.

Para os operadores, esta dinâmica reforça a importância de programas de retenção e reativação — manter os apostadores activos é tão estrategicamente relevante como captar novos. Para o apostador, significa que os operadores têm incentivo para oferecer promoções de recarga e bónus de lealdade que tornam a manutenção de actividade regular financeiramente atractiva.

O Que os Dados Demográficos Revelam sobre o Futuro do Mercado

A concentração de apostadores no grupo 25-34 anos tem implicações que se projectam para o futuro do mercado. À medida que esta coorte envelhece — tornando-se o grupo 35-44 nos próximos dez anos — o mercado terá uma base de apostadores mais experientes, com maiores rendimentos disponíveis e com hábitos de aposta estabelecidos. Esta transição demográfica sugere crescimento continuado nos volumes médios por apostador mesmo que o número total de apostadores estabilize.

O crescimento de novas contas — 75 500 por trimestre em Q2 2025 — alimentado por jovens adultos que entram na maioridade e adoptam apostas como parte do seu consumo digital de entretenimento desportivo indica que o mercado continuará a incorporar novos apostadores a um ritmo constante. O desafio regulatório é garantir que este crescimento se processa de forma sustentável — com apostadores informados sobre os riscos e ferramentas de proteção disponíveis.

Para o apostador individual, compreender que pertence a um mercado com quase cinco milhões de perfis registados, 1,1 milhão de apostadores activos trimestralmente e dezassete operadores a competir pela sua preferência é um contexto útil. É um mercado maduro onde a concorrência funciona a teu favor — se souberes utilizá-la para comparar odds, negociar condições de bónus e escolher plataformas com base em critérios objectivos.

Jogadores Ativos vs Registados: Uma Taxa de Ativação de Referência

Com quase 4 937 700 perfis registados em setembro de 2025 e 1 120 000 apostadores activos no trimestre, a taxa de activação do mercado é de aproximadamente 22% — pouco mais de um em cada cinco apostadores registados apostou efectivamente no trimestre. Este rácio é estável há vários trimestres e é consistente com padrões observados noutros mercados europeus maduros.

O que significa para o apostador individual: o mercado tem uma base muito maior de pessoas com conta do que de pessoas que apostam regularmente. Isto cria um pool de apostadores ocasionais que os operadores tentam activar com promoções específicas — e que representam uma oportunidade para quem apostas só em determinados eventos ou épocas desportivas, dado que as ofertas de reactivação tendem a ser mais generosas do que as de boas-vindas para contas inactivas.

Qual a faixa etária com maior crescimento de apostas desportivas em Portugal?

O grupo dos 25 aos 34 anos é o mais representado no mercado, com 34,3% de todos os apostadores registados. Em termos de crescimento, os novos registos tendem a concentrar-se nos grupos mais jovens — 18 a 34 anos — consistente com a adopção digital mais rápida nestes segmentos. Os dados SRIJ de Q3 2024 confirmam que 78,7% dos apostadores têm menos de 45 anos.

As mulheres apostam menos em desportos do que os homens em Portugal?

Os relatórios do SRIJ não desagregam explicitamente os dados por género em todos os trimestres, mas os dados disponíveis confirmam uma predominância masculina nos apostadores desportivos em Portugal — um padrão consistente com os mercados europeus onde esta informação está disponível. A participação feminina tem crescido, mas o mercado de apostas desportivas continua a ser predominantemente masculino.